Pride!!!

Alguns bons motivos para ir à Parada do Orgulho Gay...

Fernando é filho de um homem rico e poderoso.
Seu pai o ama e não mede esforços para lhe dar tudo aquilo que ele acredita ser bom para seu filho.
Entretanto este sonho de felicidade de seu pai o torna muitas vezes uma marionete da vida, impossibilitado de escolher.
"Júlio, meu pai já comprou até a sala onde eu vou trabalhar quando me formar! Já escolheu até a área da medicina que eu vou atuar e já tem contatos para eu entrar num hospital da cidade, eu não escolhi nada!"
Fernando reconhece que qualquer pessoa adoraria não ter que se preocupar com grana, e isso ele agradece, mas carrega consigo a eterna sensação de alguém que no dia do aniversário ganha do melhor amigo um presente que se sabe caro, de boa qualidade, mas que simplesmente não gostou.
Assim Fernando leva a vida em conflito com o que deseja e aquilo que a tradição familiar dita como norma de felicidade:
"Sempre foi assim em todas a gerações da minha família e todos acham que é o certo... quando expresso o que eu quero eles entendem como um erro de avaliação produzido pela ingenuidade da juventude, sendo que mais cedo ou mais tarde vou me convencer que isto é melhor para mim como sempre foi o melhor para todos que me antecederam."
Freud já descrevia este conflito clássico : desejos individuais X tradições sociais. Ele sabia que não podemos fazer tudo que nossos impulsos desejam sob pena de nos tornarmos crianças sem limites, mas também alertava sobre o perigo de deixar sucumbir o desejo pressionado pelas exigências da cultura. De acordo com ele viveríamos numa eterna instabilidade, numa corda bamba tentando equilibrar necessidades pessoais e convívio social, impulsos internos e respeito a coletividade.

Mas Freud sempre alertou para o fato de que o homem civilizado pode vir a padecer de males sociais, que podem ser de fato efeitos colaterais do trabalho de cultura.

Muitas vezes a sociedade produz sofrimento para os indivíduos pois suas antigas regras e modos de vida não representam mais as necessidades de seus membros.
Isso acontece muito claramente com nossos antigos padrões de comportamento sexual.
Assim o antigo conceito de que a sexualidade serve a procriação da espécie não faz mais sentido diante da realidade de que as práticas sexuais são vistas como formas legítimas de obtenção de prazer, e portanto não precisam mais se restringir a parceria heterossexual.
A psicanálise é um campo de estudo, uma forma de investigação da alma humana e tem como principal objetivo produzir conhecimentos que possam ser aplicados na clínica de modo a ajudar as pessoas a lidar, diminuir e/ou (quando possível ) eliminar seus sofrimentos, tornando suas existências mais próximas daquilo que nossa cultura chama de felicidade.
Neste sentido um psicanalista não precisa ser necessariamente militante político, até por que em certos casos a paixão por nossas crenças pessoais pode dificultar a escuta e compreensão de nossos pacientes.
Mas se um psicanalista percebe no seu consultório que a submissão a uma antiga norma moral ( como a obrigatóriedade da heterossexualidade) produz toda sorte de sofrimentos.
É natural que se pense: porque temos que dispensar tanta energia para ajudar nossos pacientes a viver melhor com sua sexualidade escondendo-se, não seria mais fácil reinventarmos um modo de vida onde as diferenças pudessem ser aceitas e respeitadas socialmente.
É por isso que centenas de pesquisadores do mundo inteiro começam seu trabalho no divã e vão se tornando cada vez mais cidadões atuantes nas tentativas de transformação social.
Claro que isso não deve ser feito no consultório sob pena de tentarmos pateticamente "converter" nossos pacientes , impossibilitados de compreendê-los em sua singularidade.
Mas as manifestações sociais e coletivas são uma ótima oportunidade de expressarmos nossa sede por um mundo mais livre.
A Parada do Orgulho Gay de fato é uma festa para celebrar o respeito às diferenças, não é uma tentativa de tentarmos convencer ninguém de que esta ou aquela orientação sexual seja melhor, simplesmente de tentar demonstrar que TANTO ESTA COMO AQUELA ORIENTAÇÃO SEXUAL podem gerar felicidade desde que exercidas com dignidade e respeito ao outro.
Se você se sente oprimido como Fernando dê a sua contribuição para um mundo melhor para si e para todos.