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Eu tive a sorte de receber um "pacote" completo sobre a criação de filhos por casais gays, digo isso , porque Wanderson, meu companheiro, já possui um filho de um relacionamento hetero, muito anterior ao nosso. Patrick ( sim, pasmem é o nome do meu enteado, e não é homenagem) hoje está com 9 anos, e contrariando a expectativa de muitos, mora muito bem conosco. Mas ter um filho ou criá-lo, realmente não é fácil, a começar pela concepção.
Aline e Luciana, por exemplo, viveram juntas por 4 anos, e em um determinado momento, segundo Aline, estava faltando algo na relação das duas, resolveram ter um filho. Mas como? Na sociedade atrasada em que vivemos, é muito difícil a adoção (afinal, é melhor deixar uma criança só, na rua passando fome, do que entregá-la há um casal homo que poderia oferecer conforto e carinho). As duas pensaram em inseminação, mas não tinham grana. A única saída seria o modo natural. Mas o ciúme não deixava. Como Luciana era a mais louca para ser mãe, acabou separando-se de Aline e casando com um cara que a engravidou.
Hoje vive infeliz com um cara idiota, sem poder criar a filha de uma forma
decente.
No meu caso existem alguns diferenciais. Meio que sem querer, divido a responsabilidade de criar uma criança. Tenho um papel a cumprir, e isso já deu vários nós na minha cabeça. É difícil você conviver com um menino, se preocupar com comida, material escolar, gripe, brigas, e de repente se tocar que ele não é seu filho, é do outro. Bate um medo muito forte, de no futuro ele não aceitar a idéia, virar um "aborrecente", te culpar por uma série de coisas.
E quando bate o ciúme... Sim, existe ciúme dele com o pai, do pai comigo, das outras pessoas conosco. Sem falar do terrível medo dos avós acharem que a criança vai ser influenciada.
Atualmente com uma sociedade mais flexível, a quantidade de casais que querem ter ou adotar um filho cresceu muito. Mas até onde esta vontade é real?
Será que essa crescente demanda de pseudos-papais e mamães homossexuais, não se trata na verdade de mais uma fuga para uma realidade hetero, onde uma família verdadeira se constitui de pais e filhos?
Tendo em vista que a maioria prefere a ter filhos cosanguíneos e só escolhe a adoção em poucos casos, me faz acreditar que na maioria seja apenas uma "vontade-social".
Ser pai, mãe, não é parir ou participar com o esperma. É vc participar do crescimento de um ser, é influenciar na sua educação, cultura. Acho que a herança cultural e familiar que podemos deixar para nossos filhos deve ser e é maior do que a genética.
O que faz diferença para a sociedade não é a quantidade de indivíduos de
cabelos pretos e olhos azuis que a geração passada deixou, mas sim os
aspectos sócio-culturais acrescentados, ou revistos.
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