Filho é uma Parada!!!

     Cíntia, minha melhor amiga, organizou uma excusão de Floripa para a Parada gay em Sampa. Infelizmente não fomos por 2 motivos: Trabalho e Exposição.
    Quando você tem ou assume (como no meu caso) um filho, muitas coisas mudam. Além da responsabilidade, existe a preocupação em não tornar a criança em objeto de exposição.
    - " Lá vaí a filha do viado...
    - " Fulana, imagine que a mãe daquele menino vive com outra mulher..."

    José Alencar, tem uma filha de 8 anos, de gênio forte, que mora com ele. Toda vez que a menina apronta no colégio e ele é chamado a pedagoga, de uma forma sutil e encharcada de preconceito, insinua que talvez o problema comportamental da criança seja em função do estilo de vida um pouco "diferente " que o pai leva.

    Este tipo de discriminação existe sim, e é intolerável. Infelizmente a grande barreira que encontramos é a falsa concepção que a sociedade possui de que uma criança crianda em um ambiente Gay, poder ser influenciada a ponto de levar o mesmo tipo de vida ou pior se tornar uma revoltada.
    Para nós, como casal, existe uma certa obsessão em criar o Patrick de uma forma livre, sem preconceito algum. Seja por cor, credo, orientação sexual.
    Mas obsessão mesmo tem Grace e Ana Carla, na criação do filho de 10 anos. Chegaram ao cúmulo de , aos poucos, cortar relacionamento com os amigos mais "afetados". Por medo de influência o menino.
    Temos uma postura mais neutra em frente ao Patrick. Evitamos contatos mais íntimos, como beijos, por exemplo... Por quê?
    Bem, imagine um menino de 9 anos , que recebe diariamente um enorme carga de informações, começando a descobrir o sexo, e ainda ter que entender porque que o pai dele dorme abraçado na mesma cama com o amigo? E porque que o amigo do pai gosta tanto dele? Fica díficil né?!

    Minha preocupação é que ele tenha uma visão natural das coisas... porque afinal é natural. Segundo a psicóloga Marlene de Almeida, a melhor forma da criança ambientar-se com a sexualidade dos pais é aos poucos, lembrando que não se faz necessário fazer nenhum drama quando as perguntas indiscretas, típicas das crianças, surgirem. E vão surgir, se os pais oferecerem abertura ao dialogo, sim.
    Mas não é preciso detalhes. Afinal, em qualquer idade, ninguém quer saber como é o ato sexual dos pais.
    Situação engraçada:Um certo dia o Patrick comentou que o amiguinho da casa ao lado lhe confidenciou que na nossa casa antes moravam duas "sapatonas". Ele perguntou que era. Expliquei. E ele perguntou se eram mulheres legais. A melhor resposta foi o exemplo que dei.
    Perguntei o que ele achava da Cintia. Ele disse que gostava muito dela, que era legal e divertida. Então eu contei que ela era lésbica. Ele achou demais, e saio pulando com a bola debaixo do braço, berrando que quando crescesse só ia namorar com uma mulher "sapatão".
    Pensei em chamá-lo e explicar novamente, mas deixei prá lá. Afinal existe tanta coisa pra ele entender ainda... e quem garante que ele não possa namorar com uma lésbica?
    Se existir amor, por quê não?
    Talvez seja complicado, mas...