Casamento X União Civil

    Quem acha que casamento e união civil é a mesma coisa está muito enganado...
    Segundo a Enciclopédia Universal casamento é "uma união legalmente legitimada entre duas pessoas de sexo diferentes, geralmente com aprovação cultural e ou religiosa".
    Já União Cívil, seria uma espécie de contrato entre duas pessoas do mesmo sexo, ou não, que garante alguns direitos comuns no tal do casamento, como:
  -Herança;
  -Sucessão;
  -Benefícios da Previdência;
  -Seguro-saúde e
  -Declaração de Rendimentos conjunta.

    Mas quem sonha em mudar de sobrenome, usar o do(a) companheiro(a) que é mais chic , vai cair do cavalo. O tal contrato não dá direito ao uso do sobrenome do cônjuge nem a adoção de filhos.
    Como qualquer contrato ele trata de direitos deveres e obrigações comuns a cada parte envolvida,por isso deve ser encarado com seriedade.
    Além de garantias materiais, esse "contrato" representa dignidade, respeito, direitos que qualquer cidadão deva ter.

    Relembro que a união entre duas pessoas é coisa séria ainda mais com um contrato no meio. Uma coisa é você viver bem com o seu amor e sendo maduros resolverem assumir uma vida em conjunto, outra coisa é "brincar de casinha" só porque agora está na moda.

    É justamente aí que mora a"dona Polêmica", a conhecida fama de libertinos que carregamos é enorme.
    A sociedade ainda não se acostumou a ver dois homossexuais com muito tempo de relacionamento. Experiência própria. Quando digo que tenho um relacionamento de 6 anos as pessoas fazem uma cara que parece que tenho um olho de cada cor... Pena.
    Além dessa falta de crédito, o que também nos prejudica, é uma lenda de que quando for aprovada a tão esperada lei, vai ocorrer um fenômeno metereológico onde choverá milhares de gays de véus e grinaldas berrando: Sim!!! Na porta das igrejas. Lenda?!
    Eu achava que isso era folclore, coisas que as mães preconceituosas contavam para pôr medo nas criancinhas que não queriam comer verduras, mas conversado com alguns amigos, descobri que esse desejo existe.
    Oscar e Rubens, vivem juntos há dois anos . Se for aprovado o projeto de parceria civil , eles vão se "casar"...
    Planejam inclusive uma grande recepção, 400 convidados, lembrancinhas, bolo, cascata de camarões... já fizeram inclusive orçamentos em buffets. Mas este sonho tem um obstáculo: Religião.
    Rubens só se casa se for com a benção de um padre católico. Como sonhou também a sua mãezinha.
    Ele é irredutível. Nada vale para ele, esses tão sonhados direitos, sem a benção da "Religião". Uma pena.
    Mas certas opiniões são como a nossa bunda, cada um tem a sua e não se fala mais nisso (mas cá entre nós..) Coisas de ksal.
(mas cá entre nós, já é difícil uma lei, imagina a benção e aprovação da igreja Católica... rá,rá,rá).     Mas são essas idéias equivocadas que fortalecem a polêmica.
    Será que é tão difícil aceitar que duas pessoas se amam e querem construir uma vida juntos?

    Vamos ver por outro lado:
    Será que o objetivo de um relacionamento é esse mesmo?
    Somos obrigados a conviver por quase 24 horas com quem amamos, fadados a ver um relacionamento tão legal , tão mágico desgastar-se aos poucos?
    Será que tudo não faz parte de uma convenção social, padrões de uma vida heterossexual que teimamos em seguir a risca?
    É possível evoluir e contribuir para o progresso do(a) companheiro(a) mesmo à distância?
    Conheço casais de amigos que vivem muito bem; bem longe um do outro.
    Segundo Fernanda e Monique que são "casadas" há 7 anos e moram em casa separadas , um relacionamento assim, meio distante, oferece alguns benefícios: elas sempre tem assuntos para conversar, cada encontro é uma festa, o sexo é uma maravilha, o mal humor quase não existe, não existe os problemas de administração doméstica, praticamente nem brigam,sem falar que dá até pra fazer de conta que são hétero. Bom... palavra delas que apesar de casadas ainda não se assumiram completamente por questões profissionais.
    Voltando a questão: Lei.

    Enquanto o projeto de parceria não é aprovado podemos tomar algumas medidas que nos ofereçam garantias no caso de uma inevitável separação, ou pior, um dos companheiros(as) virar "purpurina" (medidas que eu tomei): Um ótimo relacionamento com a família do(a) companheiro(a) é essencial em uma situação chata. Walter nos conta que o bom senso dos pais e irmãos do seu ex foram fundamentais no momento da partilha dos bens que foram adquiridos por ambos.
    Arquive todo e qualquer documento que comprove aquisição ou movimentação financeira dos dois, lembre:
    Notas fiscais podem ser emitidas no nome de duas pessoas, cartões de créditos aceitam qualquer um como adicional, e contas correntes podem ser abertas em conjunto.
    Para os casais que pretendem adquirir imóveis a Caixa Econômica Federal aceita que duas pessoas do mesmo sexo financiem um imóvel juntas, basta preencher um papel informando a união dos dois.

    Desculpem o meu lado Romântico, ou como diz o meu companheiro, cafona, mas eu acho que com amor se resolve tudo. O importante é haver consenso entre os dois ou duas.
    No jogo do casamento que faz as regras é o casal, e sempre lembrado que o importante é a felicidade do casal.