AIDS  e outras DSTs

Em 1999, o mundo festejava os crescentes avanços em relação à aids. Cada vez mais rápido eram descobertos novos remédios mais eficazes e menos nocivos ao organismo, e uma vacina para a cura, ou pelo menos para evitar a contaminação pelo vírus, estava cada vez mais próxima. Mas infelizmente essas notícias boas tiveram um efeito contrário. Em 2000, o mundo se surpreendeu com o avanço da epidemia novamente, o que demonstra um descaso em relação à doença. Com o avanço das pesquisas, cada vez mais casais (tanto heteros como homos) voltaram a abolir a camisinha como método de prevenção em seus relacionamentos, e isso refletiu visivelmente na disseminação da epidemia.

Resultado? No final de 2000, a Organização Mundial de Saúde divulgava o aumento de 5 milhões de novos infectados no ano, subindo o número mundial para 36 milhões de portadores do vírus HIV. Destes, 70% (ou seja, 25 milhões) estão somente no continente africano (veja mapa). A única boa notícia, se é que pode ser considerada assim, é que os gays deixaram de ser grupo de risco há tempos, e elogiosamente mantêm suas porcentagens de infectados em 20%, há anos. Em contrapartida, os heterossexuais detêm a marca de 40% de infectados, e desses, infelizmente, 45% são mulheres. Como reflexo de nossa sociedade machista, onde a mulher nunca questiona as atitudes de seus maridos, agora elas pagam o preço das ?puladas de cerca? de seus companheiros.

Mas embora o uso da camisinha esteja comumente associado como requisito indispensável para quem quer praticar sexo sem o risco de se contaminar pelo HIV, não é só a aids que ela previne. Mais de dez tipos de doenças podem ser evitados com o uso da camisinha, além da aids (veja boxe). E o uso de camisinha é indispensável exatamente para evitar que a pele dos genitais sofram atrito, facilitando a entrada dos agentes infecciosos no organismo.

 

 

Doença
O que causa
Agente
Transmissão
Incubação
Tratamento
Cancro duro
(sífilis
)
Doença infecto-contagiosa que ataca múltiplos órgãos. É uma lesão não dolorosa, com a base endurecida, lisa, brilhante, e com uma secreção líquida, transparente.
Treponema pallidum
Relação sexual, transfusão de sangue contaminado, transplacentária (a partir do quarto mês de gestação) De 7 a 90 dias Medicamentoso.
Tem cura, se tratado adequadamente
Cancro mole
(cancróide ou cavalo)
Ferida dolorosa, com a base mole, avermelhada, fundo purulento e de forma irregular que aparece na genitália externa. As feridas são muito contagiosas, e geralmente múltiplas. Haemophilus ducreyi Relação sexual De 2 a 5 dias Antibióticos
Candidíase
(ou monilíase)
É uma das causas mais freqüentes de infecção genital. Caracteriza-se por coceira, ardor e dor no
ato sexual. No homem, a glande e o prepúcio ficam vermelhos, com leve coceira.
Candida albicans e outros Embora não seja uma doença de transmissão exclusivamente sexual, também pode ser transmitida pela
relação sexual
Muito variável Medicamentos locais e sistêmicos
Gonorréia
(uretrite gonocócica, blenorragia, fogagem)
Doença infecto-contagiosa que se caracteriza pela presença abundante de corrimento de pus na uretra. Inicia com uma coceira e ardência ao urinar. Em alguns casos pode haver febre. Neisseria gonorrhoeae Relação sexual. Em um contato com um(a) parceiro(a) doente, o risco de contaminação é de
cerca de 90%
De 2 a 10 dias Antibióticos
Condiloma acuminado
HPV
(jacaré, jacaré de crista, crista de galo, verruga genital)
Infecção causada por um grupo de vírus HPV (Human Papilloma Viruses) que formam lesões pequenas, de difícil visualização, com o aspecto de couve-flor, na glande, no prepúcio e no orifício uretral. HPV é o nome de um grupo de vírus que inclui mais de 70 tipos. As verrugas genitais ou condilomas são apenas uma das manifestações. Contato sexual. Mesmo que não ocorra penetração, o vírus pode ser transmitido. Uma criança pode ser infectada pela mãe
durante o parto
De semanas
a anos
Local (cáusticos, quimioterápicos, cauterização). O retorno da doença é freqüente, mesmo com o tratamento adequado. Eventualmente, as lesões desaparecem espontaneamente
Linfogranuloma venéreo
(doença de Nicolas-Favre, linfogranuloma inguinal, mula, bubão)
Caracteriza-se pelo aparecimento de uma ferida ou uma elevação da pele que tem curta duração (de 3 a 5 dias) e freqüentemente não é identificada pelos pacientes. Chlamydia trachomatis Relação sexual é a via mais freqüente de transmissão De 7 a 60 dias Sistêmico, com antibióticos. Aspiração
do bubão inguinal. Tratamento das fístulas
Granuloma inguinal (danovanose, granuloma venéreo, granuloma tropical, granuloma contagioso, úlcera venérea crônica, etc.) Doença bacteriana
de evolução lenta
que se caracteriza pelo aparecimento de caroços
e feridas indolores.
Donovania granulomatis (Calymmatob
-acterium granulomatis)
Usualmente pela relação sexual Variável, de 3 a 180 dias
Com antibióticos. Tratamento local, eventualmente cirúrgico
Hepatite B
(hepatite sérica)
Infecção das células hepáticas pelo HBV (Hepatitis B Virus) que se exterioriza por uma série de meios, desde uma infecção não aparente. HBV (Hepatitis B Virus), que é um vírus DNA (hepadnavirus) Pelo sangue e líquidos contaminados, como sêmen e secreções vaginais, e, menos comumente, a saliva De 30 a 180 dias (em média 75 dias)
Não há medicamento
para combater diretamente o agente da doença, tratam-se apenas os sintomas e as complicações
Infecção por clamídia (uretrite ou cervicite inespecífica, uretrite não gonocócica (UNG) Doença infecto-contagiosa que se caracteriza pela presença de corrimento
na uretra.
Chlamidia trachomatis Relação
sexual
De 7 a 30 dias Antibiótico oral e
local (na mulher)
Infecção por
trichomonas
(uretrite por trichomonas, uretrite não gonocócica (UNG)
Doença infecto-contagiosa que causa uma infecção na uretra do homem. Trichomonas vaginalis (protozoário) Relação
sexual
De 10 a 30 dias, em média Antibiótico oral e
local (na mulher)
Fonte: Dr. Carlos R. Cerri, médico urologista (www.dst.com.br)
AIDS: SAIBA MAIS
- Os primeiros cinco casos de aids no Brasil apareceram em 1982 (dois no Rio de Janeiro e três em São Paulo). Após exaustivas pesquisas, um ano depois se descobriu o paciente zero no país, retroativo para 1980, localizado na cidade de São Paulo.

- As campanhas relativas à aids para o Carnaval só se iniciaram em 1989.

- No Estado de São Paulo, depois da sua capital, as cidades com maior número de casos são: Ribeirão Preto, Campinas, Guarulhos, Santos e São José do Rio Preto. No Rio de Janeiro, após a capital, vem Nova Iguaçu.

- O vírus HIV pode estar presente no seu organismo e ficar até dez anos sem se manifestar.

- Existem soropositivos sintomáticos e assintomáticos. Sintomáticos são aqueles que apresentam sintomas em relação à aids, como os sarcomas de Kaposi e infecções internas. Assintomáticos são aqueles que possuem o vírus no organismo, mas ainda não apresentam os sintomas. Mas mesmo os assintomáticos transmitem o vírus para outras pessoas.